O que é a Terapia Energética Corporal?

Introdução

Este trabalho foi escrito no intuito de esclarecer a você, cliente, sobre os princípios básicos que orientam a terapia energética corporal reichiana. Minha intenção é de que ao ter uma compreensão maior de seu processo, possa ter uma atitude mais afirmativa e ativa em relação a ele. Assim poderemos caminhar juntos e termos uma meta comum: seu desenvolvimento emocional, mental e espiritual!

"Amar não é olhar um para o outro, mas ambos na mesma direção". Antoine de Saint'Exupery, Terra dos Homens.

1- O que é a Terapia Energética Corporal?

É uma forma de terapia que usa o corpo para liberar emoções, sentimentos e crenças e ativar as funções necessárias à vida. Baseia-se no conceito de energia vital.

2- O que é a energia vital?

Várias tradições orientais e linhas filosóficas falam de uma energia vital que "anima" a vida. Ao longo da história esta energia recebeu nomes como prana, chi, elan vital, magnetismo animal, etc. Wilhelm Reich foi um médico psicanalista que estudou a energia no corpo humano, na vida animal e na natureza em geral. Deu-lhe o nome de energia orgone e a descrevia como uma energia universal, formando um oceano cósmico energético, dentro do qual tudo o mais existe. Definia a vida como uma quantidade de energia vital em interação com o corpo físico. A vida necessita absorver energia vital para se preservar. Isto é feito através da respiração, da ingestão de alimentos e do contato entre os seres vivos animais ou vegetais.

3- Onde está esta energia em nós?

A energia vital está ligada ao cerne do corpo. O cerne é representado por nossas vísceras. Envolvendo o cerne encontra-se a periferia, representada pelos músculos e pele que dão forma ao nosso corpo. Externamente nossa energia vital forma um campo de energia que se liga ao cerne e se dilui à nossa volta.

Podemos simbolizar assim o sistema vital.

sistema vital

 

Temos consciência da energia vital através de sensações sutis internas e também no contato com outras pessoas ou ambientes. Sabemos intuitivamente quando nos harmonizamos com o ambiente, quando "há algo pesado no ar" ou quando "a química combina."

4- Como a energia se move em nós e o que isto significa?

Existem dois movimentos básicos da energia vital: o pulso e a onda.

Através do pulso a energia se move em expansões e contrações entre o cerne e a periferia. Quando uma área do corpo se expande, a pele fica quente, com brilho e vitalidade; a energia dirige-se do cerne para os músculos e daí para o campo. Quando se contrai, a pele torna-se fria, sem brilho e sem vitalidade e a energia deste local recua para o cerne. Vemos freqüentemente pessoas com o corpo frio, sem brilho e sem vitalidade. A cor da pele torna-se acinzentada. Intuitivamente sabemos que há pouca vitalidade quando a pele torna-se pálida, fria e sem brilho.

pulso e onda

Além de a energia pulsar entre o cerne e a periferia em movimentos de expansão e contração, ela se move em ondas ao longo do corpo. A onda energética começa pela região sacral, na pelve, sobe pelas costas até à cabeça e desce pela frente do corpo retornando à pelve e membros inferiores.

A forma do corpo mostra como está o movimento energético da pessoa. Denominamos circuito energético ao movimento das ondas energéticas em nosso corpo. Existem dois circuitos energéticos: um superficial e outro profundo.

movimento energético

O circuito energético profundo está ligado ao cerne do organismo e a energia circula através das vísceras, dos músculos lisos. Seu movimento é suave, livre, fluido e altamente sensível. Normalmente nos referimos às sensações viscerais como o nosso EU, nossa ESSÊNCIA. Vivemos essas sensações como sentimentos, emoções e anseios profundos. As qualidades ligadas ao EU são universais e surgem na consciência como potenciais e qualidades pessoais. Em nosso EU somos amorosos, criativos e voltados para a realização pessoal!

O circuito energético superficial está ligado à periferia, nossos músculos e pele. A energia move-se através dos músculos estriados. O circuito energético superficial é responsável pela interação com o mundo externo material. Em nossa consciência constitui o nosso ego. Através do ego percebemos a realidade externa, as necessidades internas e buscamos uma adequação entre ambas.

Quando o circuito energético do ego está completo nós nos sentimos seguros e identificados com nosso corpo. Realizamos nossas tarefas prazerosamente e nos sentimos realizados em nossas ações no mundo. Nossa ação nos dá prazer!

Quando o circuito energético do EU está completo nos sentimos íntegros, amorosos e em comunhão com a vida.

5- Por que não nos sentimos sempre íntegros, amorosos e em comunhão com a vida?

Nosso corpo apresenta sete faixas transversais que têm pulsações independentes umas das outras. Estas faixas são denominadas anéis ou segmentos. São eles o visual, o oral, o cervical, o peitoral, o diafragmático, o abdominal e o pélvico. Se um dado anel paralisar sua pulsação, isto gera uma interrupção do circuito energético superficial. Podemos perder a ligação com o corpo, a segurança pessoal e a sensação de prazer e realização em nossas ações. Dependendo da intensidade dessa interrupção, o recuo da energia para o cerne pode ser tão intenso que interrompe também o circuito energético profundo. Neste caso perdemos o contato com a vivência de integridade, de amorosidade e de comunhão com a vida! Podemos perder o contato com as emoções profundas e sermos tomados por emoções mais superficiais como mágoa, ressentimento, inveja, vingança, rancor, raiva destrutiva, etc. Quando ocorre a paralisação constante num dado anel dizemos que a pessoa apresenta um bloqueio segmentar.

anéis ou segmentos

Os bloqueios dos anéis geram sintomas que aparecem como queixas físicas, emocionais e mentais. Podemos enumerar algumas queixas ligadas aos bloqueios segmentares.

Bloqueio do anel visual: falta de concentração, falhas de memória, desorganização temporal e espacial, confusão mental, psicose, dores de cabeça, labirintite, dificuldades perceptivas, etc.

Bloqueio do anel oral: anorexia, voracidade, depressão, descrença no prazer e na relação, falta de impulso para a vida, crítica e auto-crítica, mordacidade, ironia intensa, etc.

Bloqueio do anel cervical: voz fraca ou rouquidão, dificuldades com a fala, contenção emocional, dificuldade em expressar anseios e emoções, orgulho, superioridade, prepotência, etc.

Bloqueio do anel peitoral: ausência de emoções e sentimentos, angústia, melancolia, falta de ar, cansaço, desânimo, sensação de vazio ou de aridez interior, etc.

Bloqueio do anel diafragmático: gastrite, úlcera gastroduodenal, digestão difícil ou lenta, controle excessivo das sensações ou das emoções, medo da vida, etc.

Bloqueio do anel abdominal: sensação de peso, desconforto abdominal, cólica, intoxicação, lentificação da vida, etc.

Bloqueio do anel pélvico: obstipação intestinal, hemorróidas, dores nas relações sexuais, impotência, falta de desejo ou de prazer ligado ao sexo, dores menstruais, insegurança, dificuldade de contato com a realidade, etc.

6- Por que temos esses bloqueios? De onde eles vêm?

Temos um EU que é amor, criatividade e impulso de realização, porém este EU necessita do ego para se expressar neste mundo! É através do ego que desenvolvemos nossa personalidade. Ao nascer, necessitamos de amor, proteção e cuidados. Depois desenvolvemos a autonomia, a identidade sexual e o poder pessoal, nossa auto-confiança. As dificuldades nessas buscas e as soluções que damos a elas podem deixar marcas em nossa personalidade. Quando não conseguimos soluções favoráveis ficamos fixados em determinados comportamentos e isto ativará bloqueios dos anéis que limitarão a pulsação e a circulação da energia. Ficamos fixados em comportamentos infantis como no caso de pessoas dependentes dos outros ou carentes. Nestas situações as funções naturais que deveríamos desenvolver ficaram limitadas.

7- Por que trabalhar com o corpo?

Quando olhamos o corpo do cliente, vemos como está sua vitalidade e se há bloqueios nos anéis corporais, limitando a pulsação e a circulação da energia. A forma do corpo mostra os bloqueios e em que fase do desenvolvimento a pessoa teve mais dificuldades. Por exemplo, as pernas frágeis mostram dificuldades no primeiro ano de vida. As distorções do corpo mostram a história de seu desenvolvimento. Podemos então comparar o que vemos no corpo com a história que o cliente nos conta e com os sintomas e queixas que apresenta. Todos esses dados devem estar concordantes. A partir daí podemos ter uma compreensão mais ampla dos problemas e das soluções possíveis. Trabalhamos no corpo para aliviar os bloqueios segmentares e estimular a circulação da energia. Estimulamos o cliente a ativar as funções naturais que de alguma forma ficaram limitadas em seu desenvolvimento. Estamos trabalhando com sua energia. Ao trabalhar com o corpo estimulamos a expressão das emoções, abrandamos a rigidez física e mental e ampliamos a consciência corporal.

8- O que o corpo tem a ver com as emoções?

Nossas necessidades mais profundas originam-se em nossa ESSÊNCIA. Através do ego buscamos sua satisfação. Quando não alcançamos a satisfação somos tomados pela dor e pela raiva. A raiva é a reação natural frente à frustração e à limitação da vida! Normalmente a expressão da dor e da raiva é limitada pelo ambiente. É difícil para os pais suportarem a expressão da dor ou da raiva num bebê ou numa criança. Frente a esta situação resta a ela ocultar sua dor e sua raiva para garantir o amor dos pais. Ao mesmo tempo em que a necessidade, a dor e a raiva são reprimidas, os pais estimulam a criança a vir para o mundo e a se relacionar com eles. Precocemente o bebê apreende esta situação e busca meios de responder às solicitações, preservando assim sua sobrevivência. Esta solução tem conseqüências importantes na personalidade. Inicialmente ocorre um isolamento da ESSÊNCIA onde ficam retidas as necessidades mais genuínas, os anseios e a dor frente à frustração. Isolamos nosso cerne, nossa identidade primária! Outra conseqüência é que a raiva, que é uma resposta biológica vital, necessita também ser reprimida. Construímos então uma segunda camada onde guardamos a raiva e o "não" que era de direito. Esta energia retida vai aos poucos se transformando no núcleo de nossa negatividade!

Finalmente passamos a nos comportar de forma a agradar aos nossos pais. Formamos uma camada superficial, nossa máscara. Com o passar do tempo acreditamos que somos esta máscara e a defendemos como se ela fosse vital para nós. Criamos assim uma segunda identidade separada de nossa ESSÊNCIA! Ocultamos nossa negatividade suprimida e perdemos o contato com nosso verdadeiro EU! Para manter essa divisão tencionamos os músculos isolando a ESSÊNCIA e retemos nos músculos tensos nossa agressividade e negatividade. A livre pulsação entre o EU e o mundo, fica comprometida! A energia que fluía livre da ESSÊNCIA para o ego já não mais ocorre. Perdemos o contato com nossa fonte interna de energia e excitação. O ego passa a identificar-se inteiramente com a máscara e aí somos dependentes do ambiente para ter energia e excitação.

Nossa personalidade fica dividida em três camadas: a profunda, nossa ESSÊNCIA, nosso verdadeiro EU, a camada média, onde guardamos nossa negatividade e nossa energia de vida e a camada superficial, nossa máscara com a qual nos identificamos! Reich referia-se a elas como Deus, ou nossa parte divina, o diabo ou nossa negatividade e o homem, nossa adaptação social.

Podemos representar as camadas da personalidade assim:

camadas da personalidade

Além de a energia ficar impedida de fluir livre entre a ESSÊNCIA e o ego, os circuitos energéticos ficam fragmentados pelos bloqueios do anel cervical e diafragmático. Na cabeça está assentada nossa máscara, nossa identidade mental. No peito, em nosso coração esta nossa ESSÊNCIA. Finalmente na pelve guardamos o diabo, nossa negatividade.

Podemos simbolizar assim:

identidades

Em nosso coração está a energia de amor, na pelve, a energia de vida, e na cabeça a nossa máscara dependente do ambiente para ter excitação e vitalidade. O ego fica identificado com a máscara, que é mental, e perde o contato com a energia do amor e da vida!

9- A partir daí qual o sentido de trabalhar com o corpo?

Ao ler esta descrição talvez você se veja retratado e ainda se pergunte: quem não tem tudo isso? É verdade, todos nós passamos pela infância e de alguma forma fomos marcados em muitos momentos. Todos passamos por momentos onde tínhamos necessidades que de alguma forma foram frustradas, o que exigiu soluções paliativas. Organizamos as defesas contra a dor e a raiva. Desenvolvemos uma forma superficial de ser. Perdemos o contato com nosso EU! Essas soluções foram necessárias na infância. O problema é que elas se tornaram fixas como se a criança que fomos continuasse a existir hoje em nós como adultos. Estas experiências nos marcaram e fixaram-se em nosso corpo, em nosso comportamento e em nossa forma de sentir e de pensar. Tente descobrir como é sua máscara. Ela expressa seu modo de ser e também as dificuldades mais importantes que você apresenta. Talvez você se perceba como vítima, frágil, distante, "espiritualizado", raivoso, apressado, perfeccionista, autoritário, submisso, "confuso", "moralista", queixoso, etc. Não se sinta envergonhado, culpado ou amedrontado frente ao que perceber.

O que acredita ser você mesmo pode ser apenas sua máscara; ela foi necessária lá atrás, hoje você não precisa mais dela! Sua negatividade é apenas energia paralisada; é energia de vida que precisa ser movida e trazida à luz. Ela se transformará em força, autoconfiança e amor próprio. Ela é energia de vida e de saúde! Saiba que seu verdadeiro EU encontra-se escondido atrás de suas defesas. Ele é amor e desejo de criar, de se realizar e de compartilhar. Confie acima de tudo na vida. Ela é bela e deve ser vivida com amor e prazer! Recupere seu direito à vida! Use a energia de sua vontade para sair deste estado de paralisia! Mova-se! Expresse seus sentimentos, emoções e anseios! Acima de tudo não culpe os outros por seu estado; tome-o como sua tarefa pessoal de desenvolvimento. Não nos cabe julgar ou culpar nossos pais; eles fizeram o que podiam fazer frente às suas próprias dificuldades. Lembre-se também que sentimentos não são julgamentos. Você tem o direito de expressar seus sentimentos retidos e recuperar a energia que é sua. Isto não ocorre quando você descarrega sua negatividade sobre as pessoas culpando-as por sua situação de vida. Isto apenas o leva a sentir-se culpado!

A máscara é mental, está em nossa cabeça. Quando movemos a energia, expressando-a vigorosamente através de nosso corpo, saímos da máscara e trazemos a negatividade à tona. Estaremos caminhando na direção de nossa fonte primária de energia. Saímos de nossas emoções superficiais e entramos em emoções e sentimentos mais profundos. Começamos a nos aproximar de nossa ESSÊNCIA!

10- O que o corpo tem a ver com a mente e a consciência?

Para que a consciência flua livre é necessário que as sensações corporais estejam vivas e presentes. Se uma parte do corpo estiver paralisada, haverá uma lacuna na consciência. A paralisia do corpo leva a ausência de sensações, emoções e percepções, ou seja, leva a um vazio na consciência; este vazio pode ser preenchido por crenças externas. Nossas crenças errôneas ou distorcidas estão sustentadas por paralisias em nosso corpo. Nossos bloqueios sustentam nossa visão distorcida da vida!

Nossas fantasias assustadoras e temores infundados ocorrem a partir de paralisias em nosso corpo. Quando movemos nosso corpo ampliando a pulsação vital, intensificamos as sensações físicas, os sentimentos e emoções e interferimos nos pensamentos e crenças arraigados. A retomada da pulsação energética corporal desfaz os temores infundados e as fantasias assustadoras, podendo levar-nos a questionar crenças que de outra forma resistiriam a qualquer argumentação!

A consciência é organizada pelo cérebro, porém, depende da pulsação energética e da circulação da energia no corpo. A pulsação e a circulação da energia dependem dos bloqueios e tensões que o corpo apresente. Nossos modos de ser, de sentir e de pensar estão fortemente estruturados em nossos bloqueios corporais. Quando trabalhamos expressivamente nosso corpo, liberamos os bloqueios, expressamos as emoções, abrimos a mente, intensificamos as respostas de prazer e ampliamos a consciência.

11- O que tem a ver o corpo, a consciência e a espiritualidade?

A energia contém as informações possíveis à consciência. Nosso corpo é o instrumento através do qual a energia se move e se transforma em consciência! O cérebro a organiza. A consciência possível a uma dada pessoa retrata sua possibilidade atual de funcionamento energético e corporal! A energia, porém se estende ao infinito, o que levaria à existência de uma consciência MAIOR, que envolveria todo o universo.

Quando nos abrimos para a ESSÊNCIA, nos conectamos com um campo imenso onde temos acesso às informações do inconsciente pessoal, familiar, coletivo humano, etc. Este é o caminho para o desenvolvimento espiritual! O trabalho corporal, liberando o movimento energético, leva à abertura progressiva da consciência, na direção da CONSCIÊNCIA MAIOR!

12- O que posso fazer para me ajudar neste processo?

Vamos compreender um pouco mais a dinâmica da personalidade para que você tenha mais disposição de empreender seu crescimento pessoal e buscar sua saúde.

Guardamos em nosso interior a criança que foi mal recebida, rejeitada, invadida, ferida ou traída. É o nosso ego infantil que ainda se faz presente! Ele nos impõe sua máscara porque teme confrontar-se com a raiva retida e com a dor guardada no fundo do coração. Entretanto não somos apenas uma criança temerosa. Temos um ego adulto que é responsável por nosso estar no mundo. Ele precisa ser apoiado e contar com a energia liberada da negatividade para desenvolver as capacidades necessárias para atender à nossa ESSÊNCIA. Se você se permitir liberar sua negatividade, contará então com muita energia para seu trabalho de crescimento pessoal. Muitas qualidades podem ser desenvolvidas, mas se você não tiver a energia disponível não será possível. Este é um passo importante! Seu ego adulto o levará para o mundo onde estão as pessoas e as realizações que necessita. Assim poderá se realizar como um ser social. Suas possibilidades, entretanto não terminam aí. Dentro de você existe ainda um ego maduro que espera por desenvolvimento. Esta parte de sua personalidade não está voltada para o mundo, mas para sua própria ESSÊNCIA onde se encontram possibilidades desconhecidas à espera da abertura de sua consciência. Estas potencialidades emergirão espontaneamente quando as necessidades ligadas à relação pessoal e social forem satisfeitas. A capacidade de amar, de doar e de curar, a criatividade, a comunicação artística e filosófica, a profunda sabedoria da vida, a intuição e a espiritualidade são alguns dos potenciais que podem estar adormecidos em sua ESSÊNCIA. Você pode e tem o direito de despertar essas qualidades.

13- Como é realizada a Terapia Energética Corporal?

A terapia é um processo que resulta da interação entre o terapeuta e você cliente. O terapeuta não pode fazer nada sozinho. Ele necessita de sua participação ativa e cooperativa. O terapeuta não constrói nada de novo, apenas ajuda a despertar o que já existe em sua personalidade. Ele será um acompanhante, um amigo nesta caminhada. O que o terapeuta tem a oferecer é uma técnica, que conduz o processo com segurança, e a relação amorosa e interessada em seu crescimento pessoal. Ao conhecer sua história ele o ajudará a compreender os momentos difíceis de sua infância. Ao ver o seu corpo poderá fazer uma leitura de como os conflitos do passado estão estruturados em seus bloqueios, pois em seu corpo está inscrita a sua história.

No trabalho com o corpo ele o ajudará a retomar a pulsação energética dos anéis e a liberação dos circuitos energéticos. Proporá toques, massagens, exercícios de stress muscular, alongamento e expressão das emoções. Dessa forma irá liberando progressivamente sua energia. Na medida em que seu nível de energia subir, lançará mão de exercícios que visem o desenvolvimento de funções que ficaram paralisadas. É muito importante o trabalho construtivo e educacional, pois estimula o cliente a desenvolver as funções necessárias ao ego adulto.

No trabalho emocional o terapeuta o ajudará a identificar seus bloqueios, saindo da máscara e entrando em contato com as emoções mais profundas. Sua negatividade se expressará inicialmente como ataque a pessoas atuais ou de sua história. Não se preocupe; sentimentos não são julgamentos. Você tem o direito de expressar seus sentimentos retidos; eles são apenas energia paralisada! Em seguida você se conectará com a raiva justa, a indignação, ou seja, a raiva que você como criança, tinha o direito de ter. Isto o levará ao contato com a dor e com os anseios reprimidos. A expressão da dor e o reconhecimento de seus anseios, efetuados no ambiente receptivo e amoroso da terapia, irão progressivamente afrouxando a separação entre as camadas de sua personalidade. A energia retida na negatividade, ao ser liberada, ficará disponível para que tenha uma atitude construtiva, tanto ao nível do corpo quanto do comportamento. Você se reconectará com seu verdadeiro EU e seus bloqueios começarão a se afrouxar. Você passará a ter força e confiança para realizar as mudanças necessárias em sua vida.

No trabalho mental duas questões são importantes: suas crenças infantis e a revalorização de sua experiência de vida. Com o afrouxamento das tensões musculares os vazios perceptivos sobre os quais estão assentadas as crenças infantis começarão a ceder. Assim elas poderão ser questionadas. A revalorização de sua experiência de vida necessita ser feita a partir da experiência corporal e emocional. A vida faz sentido quando é sentida! Na medida em que suas experiências corporais e emocionais se ampliarem, você passará a ter outra visão de mundo, mais condizente com seu verdadeiro EU.

No trabalho da consciência ocorre uma abertura progressiva desta na medida em que a pulsação energética se amplia e os circuitos energéticos tornam-se mais fluidos. A intensificação das sensações corporais possibilita a abertura da consciência. Quanto mais consciência corporal você tiver mais se ampliará sua consciência! O terapeuta chamará constantemente sua atenção para que sinta seu corpo, descreva as sensações, etc. Estará assim desenvolvendo seu eu observador, instância muito importante na abertura da consciência. Este trabalho leva progressivamente ao desenvolvimento do ego maduro. A espiritualidade é um potencial humano que necessita ser desenvolvido e sustentado em nosso corpo e isto é possível através de nosso ego maduro!

A terapia energética corporal é uma técnica e também um posicionamento filosófico frente à vida. O ser humano é primariamente bom, amoroso, criativo, realizador, intuitivo e espiritual. Partimos do convite a você, cliente, para viver e expressar integralmente suas emoções e sentimentos e descobrir sua ESSÊNCIA, seu verdadeiro EU!

É um convite para você retomar sua crença no amor, na vida e na sua verdadeira espiritualidade.

"A consciência da lei do amor leva à consciência da lei da vida que por sua vez leva à consciência de Deus!"  W. Reich, Ether, God and Devil.

Orientações da Terapia Energética Corporal

  1. Seu corpo é a melhor fonte de informação sobre seu funcionamento mental, emocional e instintivo. É importante aprender a "ouvi-lo". O corpo tem uma sabedoria de milhões de anos de evolução! Ele "sabe" muito mais da vida que sua mente!
  2. Seus bloqueios expressam paralisações do sentir ou do expressar. É importante que se volte para seu sentir e que tenha liberdade de expressar suas sensações e emoções.
  3. Permita-se ir além de seus limites habituais. Quando sentir impulso para expressar ou for sugerido que expresse algo, faça-o com todo empenho. Não se iniba!
  4. Confie em seu corpo. Perceba suas sensações físicas, entregue-se e permita-se deixar levar por elas. Seu corpo tem uma sabedoria que você desconhece.
  5. O que vem à sua consciência tem sempre a ver com o que está ocorrendo no corpo. Durante o trabalho corporal é importante que se mantenha focado nas sensações corporais e que comunique o que vier à consciência, seja na forma de idéias, crenças, imagens, lembranças, sensações, emoções ou impulsos.
  6. Habitue-se a checar suas idéias, emoções e impulsos com suas sensações corporais. Quando seu comportamento não está coerente com suas sensações ou sente apenas um vazio, questione-se, pois o mesmo pode decorrer de crenças infantis e não de sua verdade mais profunda.
  7. A dor emocional e o prazer fazem parte da vida. Não é possível estar livre para o prazer e bloquear a dor, pois ambas são sensações vitais profundas. Quando se bloqueia a dor paralisa-se também o prazer!

    A dor e o prazer também são caminhos para o contato com seu EU!

  8. A dor é uma emoção, quando você a expressa, ela se vai deixando um grande alívio. A paralisação da dor gera sempre alguma forma de sofrimento que se manifestará por longo tempo. Permita-se sentir e expressar sua dor emocional que ela se transforma, ajudando-o a crescer!
  9. Sua evolução é o melhor antídoto contra a dor emocional. O sofrimento existe porque sua evolução paralisou-se. A paralisação está ligada aos nossos apegos.
  10. Não é o apego a bens materiais, conforto, sucesso, etc. que limitam sua evolução mas o apego a crenças, auto-imagens, comportamentos e emoções infantis que a limita. Permita-se questionar sua visão de mundo.

 

No coração do homem espera o despertar a criança do futuro!

 

Dr. Dimas Callegari